lunes, 16 de marzo de 2020


NÍVEL  3 GRUPO 1 - SAN LUIS   16/03/2020

PROF.A: CLAUDIA GAGLIARDI 

Oi gente! tudo bem? Deixo para vocês a tarefa do dia de hoje. 
Leiam por favor o texto, tentem ler em voz alta para se escutar. Depois da leitura têm umas atividades. 
Por favor, me enviam esse texto que vocês tinham de atividade da semana passada. Bom trabalho!! 

Livro Brasil Intercultural. Unidade 1 Pág. 8-9 
Leia o texto a seguir
Um livro, uma vida          Walcyr Carrasco

  Quando eu tinha doze anos, urna vizinha me emprestou o livro "Reinações de Narizinho", de Monteiro Lobato. Fazia parte de urna coleção encadernada em verde, que enfeitava as paredes da sala. Confesso, embora muita gente vá pensar que sou um dinossauro após o que vou dizer: na minha infância não existia computador pessoal. Nem celular. E, por incrível que pareça, na cidade do interior paulista onde morava não havia televisão! Só chegou depois que saí de lá! Não sou tão velho. No espaço da minha vida o mundo mudou radicalmente. Eu mesmo, hoje, tenho dificuldade em imaginar como era possível se virar antes da internet!
  Devorei o livro. Ele me abriu as portas de um mundo novo e fascinante. Em seguida, li todos os volumes da coleção. Até hoje sou fã absoluto de "A Reforma da Natureza". Penso como a Emília: muita coisa poderia ser consertada! A centopeia, por exemplo! Para que tantas patas? Eu tenho só duas e me dou bem. Qual o objetivo de ter 100 pares? Se essa espécie usasse sapatos, já pensou o tamanho da despesa? Eu gostava tanto da Emília que adquiri parte de sua personalidade. Passei a questionar o que ouvia. Minha mãe quis descobrir o motivo da mudança. Leu Lobato. A partir daí reclamava:
Ele era um menino tão bonzinho! Depois da Emília, tem resposta para tudo!
  Outros livros vieram. Meus pais não eram letrados. Alguns professores me indicavam títulos. Outros, acabava pegando na biblioteca pública, por curiosidade. Sem saber do que se tratava. Viajei pelos grandes clássicos, e um me levou a outro. Inesquecível foi "Os Miseráveis", de Víctor Hugo. Já assisti ao musical e a vários filmes inspirados na obra. Nenhum se iguala ao texto, lindíssimo. Até agora me emociono com a cena em que, diante dos policiais, o abade presenteia um castiçal de prata a Jean Valjean, que roubara o outro.
  Jean Valjean, egresso da prisão, ia ser preso. Voltara a assaltar. Diante da palavra do abade, que afirma tê-lo presenteado, é solto novamente. E nesse instante descobre que pode ser um homem melhor. Até hoje eu digo a quem me conhece:
Um gesto de generosidade transforma urna pessoa.
Soterrado sob os livros, decidi ser escritor. Meu pai suspirava.
Mas como você vai sobreviver?
Escrevendo!
  Meu pai tinha muito medo. Mas corri atrás do meu sonho. E acho que valeu a pena!
  Nunca me esqueci de urna afirmação de Lobato: para escrever bem é preciso ler muito.
  Disparei pela literatura nacional e internacional. Devorei inúmeros romances que hoje seriam considerados inadequados para minha idade. Quando ouço dizer que criança não pode ler isso, não pode assistir àquilo, lastimo a molecada de hoje. Meu horizonte ampliou-se por meio dos livros. Nenhum foi inadequado. Apenas o meu entendimento na época era um. Mais tarde, reli vários títulos e minha compreensão foi outra. Todos contribuíram para minha formação. Recentemente, fiquei chocado ao ver um livro com um conto de Ignácio de Loyola Brandao, comprado pela Secretaria Estadual de Educação, ser vetado para escolares. Inclusive judicialmente. Eu li toda a obra de Jorge Amado quando era adolescente. Hummm ... Não nego que, para um rapazinho em fase de crescimento, era o máximo. Mas me fazer mal? Nenhum título me fez! Mal faz a proibição.
  Em certo Natal minha mãe me deu urna coleção lindamente encadernada. Os livros estavam repletos de fadas... nuas! Eu adorei. Ela passou o ano inteiro reclamando. E daí? Leio sem parar até hoje. Sempre me perguntam como me tornei escritor. Respondo:
Quando menino me apaixonei por Monteiro Lobato e resolvi seguir o mesmo caminho.
  E sempre agradeço interiormente a amiga que me emprestou aquele primeiro livro.
  Um livro pode mudar urna vida. Eu mesmo sou a prova disso.


Fonte: CARRASCO, Walcyr. Disponivel em: http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2223/um-llvro-uma-vlda. Acessado em setembro de 2012.



Depois da leitura do texto, responda as seguintes perguntas:

1. De que maneira a leitura influenciou a vida de Walcyr Carrasco? Justifique sua resposta com
passagens do texto.

2. Vocé lembra qual foi o primeiro livro que marcou a sua relação com a leitura? Comente sobre ele.

3. Você concorda que a prática da leitura pode mudar urna vida? Justifique.

4. Você tem o hábito de ler por prazer? Que tipo de leitura seria urna leitura prazerosa para você?

5. Quando você pensa em fazer alguma atividade de lazer, em que lugar está a leitura?


Substitua as palavras e expressões grifadas por outras que apresentem o mesmo sentido. Podem ser sinónimos.
a) Fazia parte de urna coleção encadernada em verde, que enfeitava as paredes da sala.
b) Devorei o livro. Ele me abriu as portas de um mundo novo e fascinante.
c) Se essa espécie usasse sapatos. já pensou o tamanho da despesa?
d) Meus pais não eram letrados.
e) Mas corri atrás do meu sonho. E acho que valeu a penal
f) Quando ougo dizer que criança não pode ler isso, não pode assistir àquilo, lastimo a molecada de hoje.

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